Gastronomia

Baião “de maior”

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Depois do Dom João, os principais moradores do meu coração são os nordestinos. Convivo com as culturas de lá desde o início da minha carreira. E posso afirmar, sem medo de errar, que sem a mão de obra nordestina não teríamos “o di cumê” nos bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e afins da cidade.

Diariamente, ouço histórias da casa, da família, do bairro, da cidade, dos amigos e do lugar sobre os quais o contador da vez está falando. Tantas que chego a me confundir e, depois de anos, já não sei mais se estive ou não em Fortaleza. Didi, minha amiga que mora lá, um dia destes mandou uma foto que tiramos na Praia de Iracema comendo feijão de corda com queijo. Esse tipo de dúvida tira a honra do hospedeiro!

É comum ouvir queixumes “lembrando de pai” e sentindo “saudades de mãe que dói no sangue”. Esse sentimento pela família é externado sem nenhum pudor ou preconceito, independentemente da idade que tenham. Bem diferente de nós, paulistanos, que nos levamos a sério demais. Os norte-americanos  fazem chiste até da posição geográfica que ocupam nos mapas do Brasil e da América do Sul. Mas é ali, na beira do fogão — onde a barriga vazia faz música de fundo, e a comida rareia —, que a criatividade nordestina é pródiga, singela, farta e rica. Ingredientes que uns desprezariam, nas mãos daquela gente sabida, viram um manjar que vicia.

Em 1997, a colônia de viciados era tão grande por aqui que não teve jeito se não abrir um reduto nordestino no coração do Rio de Janeiro. Assim nasceu, em Vila Isabel, o Estação Baião de Dois. Em 2003, passou a fazer parte do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, também conhecido como Feira de São Cristóvão.

Ao completar 18 anos, o Estação Baião de Dois é, sem duvida, uma referência gastronômica da feira e pode ser recomendado com segurança e confiança para todos os que visitam o espaço. Sejam eles migrantes da região em busca de matar as saudades da comida de casa ou turistas ávidos por cultura regional.

Estacao Baiao de Dois | Deise Novakoski
A casa, que investe em diversos tipos de comidas típicas, conta com dois chefs nordestinos: João Batata e Divanilson Miguel. Pratos como carne de sol com baião de dois, vatapá, angú à baiana, acarajé, arrumadinho do Chiquinho e carne seca de Caruaru desfiada podem ser encontrados no cardápio. Uma grande novidade são os pratos servidos na telha, técnica bastante comum nos estados do Nordeste. Camarão na moranga, moqueca de peixe e carne seca com abóbora na moranga são algumas das opções disponíveis. E o carro-chefe não poderia ficar de fora: uma picanha de carne do sol servida com arroz, feijão, aipim frito e paçoca de carne do sol, receita exclusiva da casa. Para sobremesa, a boa pedida fica por conta da cartola de banana do Nordeste.

Além das comidinhas típicas, a casa aposta em sucos regionais, como os de cajá, cupuaçu, graviola, caju, seriguela e muitos outros. Repare na decoração, vinda em contêineres de Caruaru (PE) direto para o Rio de Janeiro, outro resgate da cultura nordestina. E faça um passeio pela tradição da literatura de cordel através da identidade visual dos cardápios. Os funcionários, que continuam sendo os mesmos da época de Vila Isabel, compõem um figurino que remete ao cangaço, movimento originário do estado de Pernambuco.

Cada detalhe foi minimamente pensado para fazer da Estação Baião de Dois um recanto lá de casa no Nordeste.

 

Estação Baião de Dois

Endereço: Av. do Nordeste, A46 a A49, São Cristóvão – Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas (Feira de São Cristóvão)

Telefone: (21) 3860-3238

Site: www.baiaodedois.com.br

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.