Vinhos

Brangelina nunca mais

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Uma curiosidade ronda minha cabeça ultimamente. Tento esquecer, mas não dá: Quem ficará com o Château de Miraval, em Aix-en-Provence, no sul da França, propriedade do casal Angelina Jolie e Brad Pitt há seis anos?

Lá eles engarrafaram pela primeira um vinho. Foi um rosé, safra 2012. Um desenho naife do casal estampava o rótulo. Sobre suas cabeças,como coroando o triunviratum entre eles e o vinho, lia-se: “El domínio de Brangelina”. Bah, não sei se era um nome sério ou uma brincadeira entre eles, tentando insinuar que ela é “bossy”, Mas deixa pra lá, isso não importa. O preço de cada garrafa custava em torno de 105 € (cerca de R$ 540), podendo chegar a U$ 28 (R$ 90), tudo dependia da fonte. Se for jornalista italiano, o valor é baixo, já os periodistas franceses gostam de pesar o valor desta histórica primeira safra. O fato é que ela acabou, e poucos souberam de sua existência. Um número ainda mais limitado de pessoas pôde ver as garrafas, já que elas eram vendidas em caixas de seis. Naquela época,achei muito simpático da parte do Brad Pitt embarcar no mesmo tipo de hobby do amigo George Clooney,que também tem vinhedos, na Itália, às margens do lago Como.

De certa forma, é modinha em Hollywood ganhar dinheiro com filmes e perder em hotelaria, vinícolas e que tais. Fico imaginando os dois sentados conversando sobre suas experiências no setor: “Há,há,há,Pitt, imagine você que o cliente da mesa 16 disse que o camarão estava estragado e que iria me denunciar em todos os jornais de fofoca de Londres…rs,rs,rs,rs,rs,”

Sim, porque na propaganda do café, o George é o maior bonachão e acha graça de tudo (olha só o post do dia 06.10.2016). Voltando à Provence e ao Chateau Miraval, quando compraram a propriedade, a ideia era fazer vinhos orgânicos ou biológicos (na Europa há uma grande diferença entre uns e outros). Produzem orgânicos e no estilo que dá notoriedade à região: o rosé. Se a primeira safra foi um sucesso, a seguinte, de 2013, bateu recorde de vendas e esgotou cinco horas após o lançamento. Desde então,as garrafas, mudaram das esguias bordalesas para as rechonchudas borgonhesas, e o rótulo recebeu um desenho clássico no qual se lê Chateau Miraval.

A safra de 2014 foi um escândalo. Os vinhos foram vendidos em leilão na barrica. Uma delas pelo dobro do valor, mas levou de mimo o autógrafo do casal Pitt e Jolie. Também em 2014, eles firmaram parceria com a família Perrin, para produzir tintos. Os Perrin são famosos por produzir grandes vinhos no vale do Rhône. Da união com os donos do Château Miraval na Provence, Perrin considerava lançar em 2015 um tinto no estilo dos Super Toscanos italianos – um blend de variedades de uvas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah ou Cabernet Franc. Na época, ele sugeria que o nome da bebida fosse “Jolie- Pitt & Perrin”.

Marac Perrin estava tão entusiasmado que chegou a declarar para um revista especializada o seguinte: “Acredito que a Provence e a Toscana tenham similaridades em termos de clima, influência marítima e terroir”, De acordo ele, o vinho – que não vai obedecer as regras da denominação de Provence –, deverá entrar numa categoria genérica. “O vinho Jolie-Pitt & Perrin pode ser estilisticamente semelhante aos classificados como Super Toscanos, que também conseguiram alcançar notoriedade fora do sistema de denominação de vinhos da Itália”, afirmou.

Antes de dar inicio a produção do vinho , os geólogos Claude e Lydia Bourguignon pesquisaram as áreas ideais para o plantio das videiras e encontraram, em um terreno de 500 hectares ao longo do Château Miraval, três locais adequados. “Estamos planejando experimentar o plantio de diversas variedades de uva,como Syrah, Mourvèdre, Cabernet Sauvignon, entre outras”, afirmou Perrin

O vinho ainda não veio para o mercado. E, quando vier, qual nome terá?

Torço para que o George Clooney compre a parte de Jolie. Tenho certeza de que ele fará um bem imenso para a humanidade vendendo vinho rosé.

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.