Vinhos

D.O. protege a qualidade da vinha até o vinho

Por  | 

Ainda que o primeiro sistema de classificação de vinhas tenha sido feito no Império dos Habsburgos (na atual Hungria), em 1730, e que, mesmo na Bíblia, haja diversas referências sobre a origem dos vinhos — de Carmelo, de Helbon, de Samaria e de Jerzreel —, para alguns, a denominação de origem (D.O.) estampada em rótulos não tem qualquer significado.

A designação não está restrita aos vinhedos. Porém, seus produtos agrícolas são os que mais fazem uso do método. Por exemplo: para que um vinho de Bordeaux possa estampar o nome da região em seu rótulo, não basta que seja produzido por lá. Deve ter um documento comprovando sua excelência. Dentro das regras das denominações, há ainda um complexo sistema de classificações (na França, ele é datado de 1855), o que significa que mesmo os vinhos produzidos numa mesma região são divididos de acordo com o nível de qualidade. Cada país tem o seu conjunto de regras para classificar uma D.O.. No entanto, todos visam a proteger a qualidade do vinho, desde a vinha até o consumidor final.

Hoje em dia, várias lojas especializadas, restaurantes e sites oferecem os serviços de um sommelier para ajudar no momento da compra. Porém, quando não é possível contar com a ajuda de um profissional, é bom estar atualizado. Um começo pode ser o Chile, de onde o Brasil importa 40% de toda a produção. Recentemente, o país passou por uma grande mudança em suas denominações. Ao longo de seus quatro mil quilômetros de extensão e de sua estreita superfície (Illapel, com 90 quilômetros de largura, é a localidade mais estreita, e o Estreito de Magalhães, com 560 quilômetros, é a parte mais larga), as uvas são cultivadas em 1300 quilômetros do Valle do Malleco, no Sul, ao Atacama, no Norte. São onze as principais áreas produtoras, com maior concentração no Vale Central, entre a serra costeira e os Andes.

Por suas características próprias, o solo chileno foi dividido em três subdenominações de origem, que são identificadas com os selos Andes, Entre Cordilheiras e Costa.

Zonas de Vitivinicultura | Chile | Deise Novakoski

Zonas de Vitivinicultura | Chile

Pela denominação Andes, o consumidor pode entender que se trata do produto de vinhedos de altitude, plantados nas pedregosas encostas da cadeia de montanhas, cujos terrenos são de difícil acesso, e os solos, de baixa fertilidade. É deles que gostam as videiras, devolvendo uvas de altíssima qualidade usadas para a produção dos vinhos ícones do Chile.

Zonas de Vitivinicultura - Andes | Chile | Deise Novakoski

Zonas de Vitivinicultura – Andes | Chile

Já nos selos Entre Cordilheiras estão os tintos igualmente elegantes, estruturados e de alto teor alcoólico, feitos preferencialmente de uvas cabernet sauvignon, shiraz e carménère, plantadas no corredor central entre a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa, onde os terrenos são planos, e os dias, mais quentes.

Zonas de Vitivinicultura - Entre Cordilheiras | Chile | Deise Novakoski

Zonas de Vitivinicultura – Entre Cordilheiras

Na subdenominação Costa, estão os vinhedos que recebem os ventos do Pacífico, baixando a temperatura e provocando um amadurecimento mais lento das uvas. Com isso, geram-se vinhos mais frescos.

Zonas de Vitivinicultura - Costa | Chile | Deise Novakoski

Zonas de Vitivinicultura – Costa | Chile

Orquestrados pela Wines of Chile, uma organização que promove a qualidade e a imagem do vinho chileno, os principais e mais importantes produtores do pais estão elaborando ações para reposicionar seus produtos em modelos de sustentabilidade, através de programas educacionais que focam na comunidade, com a otimização dos recursos naturais e cuidados com a natureza.

Baixe aqui o PDF da Wines of Chile com a explicação das regiões!

Saber das regras que envolvem as denominações de origem do Chile nos leva a comprar com mais confiança  e a entender se aquele é o tipo que procuramos. Agora, vai dizer que isso não tem significado?

Até domingo que vem!

 

Deixe seu Comentário!

comentários

Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.