Vinhos

Grandes vinhos da Califórnia

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“Não se pode esperar muita coisa dos narizes de um povo que toma café em copos de isopor. Mas, vejamos o que o senhor tem para vender”.

Robert Mondavi foi recebido com esta frase enquanto apresentava a linha Vichon a um negociante de vinhos europeu. Fez ouvido de tocador de bumbo, mas não esqueceu.

No inicio dos anos de 1990, aquele estilo de vinhos leves, frutados e fáceis era o tipo em que o produtor americano apostava fortemente para ser consumido a partir do ano 2000. Para ele, a culinária do Mediterrâneo seria um caminho natural e, claro, lá estariam seus vinhos para acompanhá-la.

Não era uma inspiração surgida em um sonho confuso. Mondavi não era dado a esse tipo de explicação. Seus negócios eram baseados em fatos. E, naquele momento, as pesquisas apontavam que havia uma tendência pelo consumo de comidas naturais, temperadas com mais ervas frescas, azeites, azeitonas e rica em proteínas do mar. Foi justamente esse faro fino que fez Robert Mondavi, ficar conhecido como o capitão de grandes jogadas e estratégias de marketing. Todos os seus feitos são memoráveis, marcaram e modificaram definitivamente padrões seculares. Foi de sua cabeça que saiu a iniciativa de colocar nos rótulos a variedade de uvas, hoje uma regra no mercado de vinhos do Novo Mundo. Agora que estamos familiarizados com nomes como cabernet sauvignon, syrah, chardonnay e malbec, parece muito simples a ideia de coloca-los nos rótulos. Mas quando Mondavi o fez, foi um sururu no mercado europeu.

Todo lançamento de Robert Mondavi provocava muitos rumores e boatos. Com a linha Vichon não foi diferente. Mas neste caso havia razões além das boatarias de sempre. Seus dois vinhos carros-chefes eram feitos com duas uvas ícones: viognier (que até então só era usada em vinhos no Condrieu, na França) e a melindrosa pinot noir (cujos puristas só admitem existir na Borgonha, também na França).

Da pinot muito já se escreveu, bebeu e falou nos últimos anos. Nos Estados Unidos, a casta vem se mostrando muito mais interessante no Oregon do que em outras regiões. Porém, em todas as partes daquele país em que está sendo plantada resulta em vinhos leves, agradáveis e de fácil encantamento.

Já a casta viognier não goza até hoje da mesma fama da vermelha, apesar de ser uma das brancas mais interessantes e, ainda, pouco plantada. Sua principal particularidade é a dualidade. Ou seja, ela resulta em vinhos brancos frescos e elegantes com estrutura de tintos estruturados, chegando a ser até untuosos. Tanto assim que é comum encontrar vinhos tintos com cortes feitos com a viognier. Exatamente para emprestar seu frescor ao tinto sem roubar estrutura.

São vinhos perfeitos para acompanhar pratos regados a azeite, caprichados nos temperos à base de azeitonas e ervas frescas. Tudo o que se encontra generosamente na cozinha do Mediterrâneo, que hoje ainda está tão na moda, como vaticinou o mestre Mondavi.

Ainda que ele não esteja vivo para movimentar a indústria vitivinícola do Novo Mundo, seu trabalho está sendo muito bem preservado. Principalmente por seus conterrâneos. Os americanos hoje fazem os mais surpreendentes e excitantes viognier e pinot do Novo Mundo. Para nossa sorte e felicidade, temos uns dos melhores chegando no Brasil: os vinhos da Castoro Cellers. Há uns três anos, “apareceu” entre minhas garrafas uma de pinot noir. Abri e amei, virei meio mundo querendo saber quem trouxera. O caso caiu no esquecimento. Um dia destes, aparece uma sacola aos meus cuidados aqui em casa, com uma garrafa do viognier e um cartão do pai da Aninha Salles. É claro que só pode ter sido ela quem trouxe o primeiro e esqueceu de contar que o pai era o representante no Brasil. Não sei de quem cobraremos os anos de atraso, mas cobraremos não é mesmo?

Serviço:

Representante: José Eduardo Salles (o pai da Aninha Salles)
Dade Representações
Visite o site:www.castorocellers.com.br

Os Vinhos:

VIOGNIER 2008 RESERVE
PINOT NOIR WHALE ROCK 2012 RESERVE

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.