Vinhos

Marqués que não sai de moda

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No dia de meu aniversário, em 2007, ganhei de Maria Lúcia e Wilmar Amaral o livro “Coquetel em suas diversas fórmulas”, publicado em 1944, que estava impecavelmente guardado na estante da casa deles. Maria Lucia contou que tinha dois exemplares – um, inclusive, autografado pelo autor, João Zarattini, que trabalhou no Palácio do Catete na Era Vargas. Fora presenteado a seu pai, o professor Lacaz, por um colega de turma, Luthero, filho de Getúlio. Quando agradeci e disse ter sido aquele um dos melhores presentes de minha vida, Wilmar considerou haver certo exagero em minha frase. Não havia. Livros sempre são os melhores presentes, ainda mais livros repletos de histórias, sejam elas por dentro ou por fora. Exatamente como é o caso deste.

Além de ganhar, adoro “correr” atrás deles. Existem vários esgotados que vivo procurando. Com a ajuda da boa livreira Salete, a lista diminui, mas nunca acaba. Ultimamente, ando na fissura do livro que ganhou o segundo lugar no Gourmand World Cookbook Awards deste ano. O concurso, considerado o Oscar das publicações gastronômicas, foi criado em 1995 por Edoward Cointreau, com o objetivo de reconhecer aqueles que “cozinham com palavras” e aumentar o respeito por livros de gastronomia e vinhos. Para o certame Gourmand de 2008, o segundo melhor livro de histórias de vinho do mundo foi “El Marqués que reflotó el Rioja”, de Iñigo González, que também foi eleito, por unanimidade, primeiro lugar no IX Prêmio de História Empresarial.

Em seu estudo, o autor, doutor em economia, mostra a trajetória de uma empresa criada há mais de 150 anos, analisando os métodos de gestão e administração que resultaram na transformação da indústria vitivinícola riojana e de toda a cadeia produtiva em seu entorno.

Enquanto aguardo a chegada às melhores casas do ramo da obra – que revela como o Marqués de Riscal revolucionou a economia da Rioja Alavessa (a região sempre gozou de condições naturais privilegiadas para a produção de vinhos de alta qualidade e longa guarda) –  vou à loja de vinhos mais próxima e procuro por uma garrafa com uma redinha de arame. Quem não se lembra dela?

Até onde minha lembrança pode alcançar, esta é uma das marcas mais presentes em nosso mercado. Sem altos e baixos, sem grandes mudanças na embalagem e no conteúdo. Todas as mudanças sempre foram para melhor. Isto é incrível, em um mercado alucinado no qual, tão logo uma marca se torna presente, o produto muda…

As garrafas de Marqués de Riscal sempre chegaram por aqui no mesmo formato bordalês e com aquela redinha de arame que, segundo consta, foi desenvolvida para amortecer o impacto das garrafas durante o transporte. Nunca soube se este fim é funcional, mas que as redinhas tornaram-se uma marca registrada, isso lá se tornaram. Até hoje ainda são copiadas por outros “marqueses”.

São muitos os vinhos produzidos pela empresa Vinos de los Herederos del Marqués de Riscal S.A., todos bons. Mas o meu favorito ainda é o Marqués de Riscal – Herederos del Marqués de Riscal Reserva. Feito com 90% de uvas tempranillo de vinhedos de 15 anos e 10% de uvas graciano e marzuelo, é, em seguida, armazenado em barris de carvalho americano por dois anos. Depois de engarrafado, repousa nas caves por mais dois anos, quando é distribuído para comercialização. A safra 2004 já está disponível e é estupenda. Ideal para acompanhar presunto cru e carnes vermelhas suculentas, especialmente os assados com bastante molho.

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.