Vinhos

No Chile, azeite e vinho se misturam

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Muitas vezes já escrevi sobre isso, mas quem está chegando agora não sabe. Então, me repito. Adoro degustações técnicas, porque nelas ninguém abre a matraca. O profissional recebe uma ficha, e nela deve preencher seus dados e os dados do vinho que, em geral, são somente o número da amostra e de qual série ele faz parte, dentro da bateria degustada daquele dia. Menos de dois minutos depois, tem um fiscal de mesa passando e pegando a ficha. Ponto e pronto. Simples assim. Quem sabe sabe! Quem não sabe não deve estar lá. Afinal, trata-se de uma banca de avaliadores profissionais.

Já em degustações abertas para o público, o buraco é bem mais embaixo. E minha vergonha fica bem mais em cima. Quando a plateia começa a fazer perguntas ignóbeis ao dono do produto que está sendo apresentado, fico desconsertada pelo ignorante e dano a falar, tentando desviar a atenção. Sei que a estúpida maior sou eu! Mas é incontrolável, o nervoso vai subindo e explode na boca. Na segunda-feira, dia 8, por exemplo, durante a degustação de azeites organizada pela ChileOliva – Associacion de Produtores de Aceite de Oliva, minha amiga de muitas degustações Jô Barros chegou a pensar em fazer uma vaquinha para comprar o meu remédio :-).

Gabriela Moglia, gerente geral da ChileOliva, veio especialmente ao Brasil para divulgar os azeites do… Chile (dãh!). Quem está pagando por este trabalho de divulgação? Os produtores de azeite do… Chile (dãh de novo!!).

(Perdoem-me pessoas que corrigem textos, que detestam palavras repetidas. Essa falta de atenção com tudo o que estamos vivendo anda me obrigando a repetir as palavras na mesma frase, um sinônimo já é informação demais.)

Então, lá do meio da plateia, o caboclo pergunta: “Na sua opinião sincera, o melhor azeite é o de Portugal ou da Espanha?” A moça, fina, finge que não entende, assim como os demais participantes fingem que não ouvem. Só eu e minha vergonha. Danei a arrumar minha bolsa.

À direita, na frente, uma voz pequenina se levanta: “Qual é a sua marca favorita?”

Nessa ela foi experta também, e mandou um sonoro: “Chile!”

Imagina se, por distração, Gabriela deixa escapar a marca de um dos 37 associados que compõem a associação ChileOliva, que nada mais são do que os principais produtores de azeite de oliva extra-virgem chileno, o equivalente a 93% de todo o produto industrializado do país? Abafa o caso: aplausos! É dado início à primeira masterclass com azeites chilenos, que começou pelo Rio de Janeiro e seguirá por várias capitais brasileiras. Todas serão conduzidas por Andrea Morales, chefe do Painel de Degustação do Azeite de Oliva da Universidade do Chile (reconhecida pelo Conselho Oleícola Internacional, o COI), a quem foi dada a palavra.

Degustamos vários rótulos, ótimos e com defeitos, todos presentes em nosso mercado. A ideia era aprender a reconhecer seus atributos, fossem bons ou maus, e a entender seus porquês. Depois aprendemos a como e em que tipo de preparação cada tipo ficaria mais interessante, devido à qualidade da azeitona e à forma como esta amadurecera. Todo esse aprendizado está sendo direcionado aos profissionais – vendedores de dellis, compradores de lojas especializadas e supermercados, sommeliers e que tais -, porque os consumidores sabem muito bem reconhecer um bom produto nas gôndolas dos supermercados. Eu, tu, nós, vós e eles elegemos o azeite chileno como um bom produto para ser consumido em nossas casas.

Em 2014, o Chile exportou um total de 9.543 toneladas de azeite de oliva, o que representa US$ 41,7 milhões. Deste total, 47% desembarcaram no Brasil, somando US$ 19,6 milhões. Estes números mexem com outro produto que, não parece, mas está mais próximo do que possa supor a vã filosofia de qualquer mortal, o vinho. Na semana que vem continuo, combinado?

Por hoje, deixo o site www.chileazeitedeoliva.cl , onde você encontrará o mundo do azeite chileno, além de receitas e muitas novidades. Vale a pena conferir

Um super beijo, boa semana para todos e até domingo que vem!

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.