Coquetéis

O bitter Brasilberg e a turma dos amargosos “terapêuticos”

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Bitter define e descreve bebidas alcoólicas feitas de raízes de flores, cascas de árvores e frutos macerados em álcool neutro, além de genciana e quinino. Ainda que existam muitos tipos e marcas, a coquetelaria vive uma onda de criações “caseiras” de novos sabores, cada qual com sua classificação e diferentes tipos de uso.

Alguns bitters são usados em pitadas para valorizar o sabor de certos coquetéis ou sobremesas, como o orange bitter, uma essência extrasseca de laranjas de Curaçao, com 15%GL, que faz toda a diferença em coquetéis à base de gim. Muito difícil de ser encontrado fora da Inglaterra, costuma ser substituído por angostura, um crime inafiançável!

O contrário é ainda mais superlativo, pois substituir o bitter angostura produzido em Trinidad, à base de rum e ervas, é igualmente inafiançável, com a pena extra de destruir o sabor do coquetel. Experimente fazer um negroni sem angostura, ou substitui-lo por qualquer outro bitter, e você verá que não vai aqui nenhum exagero ou preciosismo.

Alguns bitters são semelhantes aos vermutes e, além de fazer parte da receita de muitos coquetéis clássicos, são também bebidos como aperitivo gelado, com uma pedra de gelo, ou em versões long drink, diluídas com água tônica ou qualquer outro tipo de refrigerante ou água gaseificada.

Brasilberg | Deise NovakoskiÉ o caso do franco-americano Péychoad, do francês Amer Picon, do italiano Campari e do espanhol Calisay. Dentro da imensa família dos bitters, não se pode deixar de citar dois dos mais famosos amargosos, o alemão Underberg e o italiano Fernet. Apesar de a marca Underberg ser popular e amplamente consumida no Brasil – justificando uma fabrica da bebida no bairro da Usina, no Rio (que usa ervas nacionais) -, não se encontram garrafinhas de dose única nas bolsas das mulheres, como é comum na Alemanha. Lá, atribui-se ao bitter o poder de minimizar cólicas menstruais (não juro nem desminto, já que não as tenho). Com visual modernizado, a marca deixou de ser homônimo da coirmã alemã e foi rebatizada como Brazilberg.

Entre os fernets, o Branca, feito pela firma de mesmo nome em Milão, é de longe o mais conhecido por consumidores de fora da Itália. Já entre os italianos, o produzido pela Martini & Rossi, em Turim, é largamente o mais consumido. Puro ou com uma pedrinha de gelo.

A todos os tipos de bitters são atribuídos poderes terapêuticos, anti-ressaca. Minha experiência é confirmada pelo especialista em bebidas Michael Jackson:  “passado o sabor amargo da bebida, a vitima só pode mesmo se sentir melhor…”

Na Grã-Bretanha, a palavra bitter é usada de forma coloquial para se referir, genericamente, a uma cerveja. Pode ser de lá que tenha vindo a fama “curativa” dos amargos, pois todos sabemos que o que amarga cura e o que aperta segura.

Para aqueles que quiserem se aventurar nas coqueteleiras, compartilho umas receitas usando o Brasilberg.

Uma ótima semana para todos. Beijos

 

Rio Negro

Ingredientes:

  • Gelo
  • ¾ de água tônica
  • ¼ de Brasilberg

Modo de preparo:
Encha um copo com gelo. Adicione água tônica e depois, lentamente, o Brasilberg. Servir em um copo long drink com uma rodela de limão.

Brasilberg com Café

Adicione um terço de Brasilberg a uma xícara de café e saboreie um café levemente alcoólico, que facilita a digestão e confere um sabor levemente mentolado ao prazer de beber café. Uma combinação perfeita após as refeições ou nas cafeterias.

Brasilberg com Vodka

A mistura perfeita para os climas frios da região Sul do país, combina a pureza alcoólica da vodca com o sabor de ervas brasileiras do Brasilberg.

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.