Vinhos

Onde a Periquita envelhece bem

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Importados com “sabor nacional”, os vinhos portugueses fazem qualquer brasileiro se sentir em casa ao abrir uma garrafa. Não por acaso, os produtores da Península de Setúbal buscam estar cada vez mais à mesa no Brasil. Segundo o presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), Henrique Soares, o investimento no mercado brasileiro é uma das prioridades para 2016. Ele destaca que a CVRPS marcará presença nos eventos “Vinhos de Portugal” (em parceria com o Jornal O Globo) e na “III Ronda Enogastronômica dos Vinhos da Península de Setúbal”, ambos a serem realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. No Rio, o “Vinhos de Portugal” acontece nos dias 28 (sábado) e 29 de maio (domingo).

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Também estão programadas palestras para profissionais do setor nas Associações Brasileiras de Sommeliers do Rio de Janeiro (dia 31 de Maio, uma terça-feira), de São Paulo, de Campinas, de Belo Horizonte e de Brasília. Soares destaca a proximidade histórica com o mercado brasileiro e brinca: “A grande percentagem de DNA que partilhamos faz com que um vinho português, no Brasil, seja quase um produto ´made in Brasil’. Da mesma forma, em Portugal, quando compramos produtos brasileiros, sentimos que estamos optando por um ‘made in Portugal’. Entre uma manga ou um papaia produzidos no Brasil ou noutro país qualquer, não hesitamos em comprar a proveniência ‘portuguesa’!”.

Mapa da Península de Setúbal

Mapa da Península de Setúbal

E note-se que o vinhos de Setúbal não são vinhos quaisquer. Trinta e dois moscatéis da região obtiveram excelente pontuação na prestigiada publicação The Wine Advocate/eRobert Parker. Mark Squires, provador oficial dos vinhos de Portugal para a publicação, descreve-os como “os melhores vinhos que ainda desconhecemos”. No final de 2015, o mesmo especialista destacou 22 vinhos tintos finos, da casta Castelão predominantemente (com pelo menos 50% da uva), que atingiram entre 85 e 92 pontos na lista da The Wine Advocate. Os Periquita Superyor 2008 e 2009 foram o que melhor pontuaram.  Nas palavras de Squires, “os vinhos envelhecem lindamente, de forma a fundir a intensidade de sabor com notas mais maduras, e começam a parecer simplesmente maravilhosos”.

Segundo o presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, “os Castelões, especialmente, colocam a Península de Setúbal em um patamar de qualidade em que poucas regiões conseguem chegar”.

A casta tinta Castelão é a mais cultivada no sul de Portugal. Possui um grande poder de adaptação a diferentes condições climáticas, o que lhe dá uma notável versatilidade. É conhecida na região da Península de Setúbal por Periquita, nome que teve origem na propriedade chamada Cova da Periquita, estabelecida na localidade de Azeitão por José Maria da Fonseca, por volta de 1830. A casta ocupa cerca de 60% do encepamento da região, à qual se adapta muito bem. É sobretudo nos terrenos arenosos e nas vinhas velhas da região que a casta dá o melhor de si e de onde saem os vinhos mais estruturados, carnudos e intensos. Os vinhos da casta Castelão são frutados, insinuando aromas de cereja, groselha, castanha, ameixa confitada, amoras e framboesa, que se harmonizam bem com o estágio em barris de carvalho. Apresentam excelente capacidade de envelhecimento.

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.