Vinhos

Para eles, não peça ajuda

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Aurelio Montes Junior e Charles-Henri de Bournet Marnier Lapostolle fazem parte da atual geração que administra duas vinícolas ícones do Chile: Viña Montes e Casa Lapostolle, respectivamente. Os rótulos das duas empresas regularmente ganham notas acima de 90 pontos — e, com frequência, são calorosamente elogiados pela imprensa especializada.Com tantas virtudes, cada um poderia estar fazendo a divulgação de seus produtos isoladamente. Mas, no mundo do vinho, as coisas não funcionam assim. Em geral, produtores de grandes vinhos costumam ter relações de amizade, respeito, solidariedade e admiração mútuas. As famílias Montes e Lapostolle não são exceção, com charme extra de serem fraternos desde tempos pré-vinhedos.Quando Aurelio Montes (pai de Junior) e Alexandra Marnier (mãe de Charles-Henri) se tornaram amigos, ainda eram estudantes e nem sonhavam ser vitivinicultores na América do Sul.

Em 1994, Alexandra Marnier Lapostolle, herdeira do famoso licor Grand Marnier, já estava casada com Cyril Bournet  quando, com ele, decidiu fundar a Casa Lapostolle no Chile. Como de costume na família Marnier, o compromisso absoluto com a qualidade  foi a bússola que orientou o projeto de 370 hectares. Em pouco tempo, nasceu o cultuado Clos Apalta, um corte de carmènére, cabernet sauvignon e merlot que já foi premiado como o melhor vinho do mundo e tem uma invejável lista de distinções.

Já a historia da Viña Montes começou um pouco antes, em 1987, quando Aurelio Montes e Douglas Murray se associaram para criar o Montes Alpha cabernet sauvignon, um tinto concentrado e opulento, diferente de tudo o que era produzido no pais até então.

Em 1996, nascia o Montes Alpha “M”, com o estilo de um clássico bordeaux e elaborado com as castas cabernet sauvignon, cabernetfranc, merlot e petit verdot. Desde a primeira safra, logrou ser campeão, merecendo notas altíssimas da imprensa especializada. Recentemente, desbancou o Château Haut Brion, o Sassicaia e o Opus One em uma degustação às cegas.

Em 2014, Aurelio e Charles promoveram uma degustação também às cegas das safras 2000, 2004, 2007 e 2010. A brincadeira valeu mais pela companhia e bate papo, pois, claro, era muito fácil distinguir um vinho do outro.

Comprovando a diversidade do terroir da região chilena de Apalta, em todas as safras do Montes Alpha “M” era claramente perceptível o aroma de cogumelos secos do tipo porccini, depois vinham as individualidades e os efeitos do clima, como no caso da safra 2007, quando o verão teve ventos frios, o que permitiu à uva uma maturação mais lenta do que o normal. O resultado foi que os vinhos ficaram frutados com taninos redondos e macios.

No mesmo ano, o vinho de Clos Apalta ficou igualmente frutado e com taninos macios, porém com uma grande diferença: a microlocalização do vinhedo da Casa Lapostolle, em Apalta, dá aos vinhos uma característica marcante e inconfundível: todos têm aroma vegetal, com toques defumados.

Aí está o grande encanto do mundo de Baco! Mesmo sendo produzidos a partir de uvas colhidas de vinhedos vizinhos, onde choveu e fez sol igualmente, os vinhos têm caráter e estilos absolutamente distintos.

Qual dos dois é o melhor? São propostas diferentes para um mesmo objetivo: qualidade, qualidade e qualidade.

Esse tipo de vinho ninguém precisa de ajuda para encontrar. O instinto e o bom faro levam o consumidor até ele.

Distribuidora Mistral
Praça Santos Dumont 74, Gávea, Rio de Janeiro – RJ, 22470-060

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.