Cervejas

Roqueiro, cervejeiro e algo mais…

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Os roqueiros que lá pelos anos 1960 ameaçaram os pais de jovens adolescentes dos quatro cantos do mundo com suas letras e jeito de cantar irreverente, suas roupas e movimentos de palco insolentes, eram vistos como péssima influência para seus filhos. Em 1985, esses rapazes e moças mudaram de posição: de filhos e fãs passaram a ser papais e mamães surpresos ao se verem reunidos com a família diante da televisão para assistir ao show Live Aid, organizado pelo vocalista da banda Boomtown Rats, Bob Geldof. Foi o maior show de rock da terra: em 16 horas, foram arrecadados cerca de 100 milhões de dólares, totalmente destinados ao povo faminto e miserável da África do Sul.

Daí em diante, o Dia Internacional do Rock passou a ser comemorado no dia 13 de julho. É como diz um colunista da terra da garoa: “em off, ninguém é normal”. Teoricamente, a turma do rock é doidona, cabeluda, barulhenta e uma péssima influência para os filhos de várias gerações, certo? Mas são eles, com sua música, que são lembrados por um dos maiores movimentos de solidariedade das últimas décadas (?!).

E quer outra? Sabe aquela garrafa de bourbon ou vodca que você imagina estar rolando no camarim dos roqueiros antes do show? Esqueça! O pessoal gosta mesmo é de uma cervejinha básica e muito bem feita. Do contrário, o que explicaria tantas bandas lançarem nos últimos anos seus próprios rótulos? E todos explicam basicamente a mesma coisa: cansados da mesmice do mercado cervejeiro nacional, resolveram produzir a própria cerveja. A receita deu tão certo que acabaram tendo que aumentar a fórmula e colocar à venda, principalmente, para os fãs.

Foi assim com a cerva dos Raimundos e a do Velhas Virgens. A moda começou com o baixista do VV e também paneleiro (preparador de cerveja doméstico) Tuco Paiva. Ele começou preparando vinte litros e, quando se deu conta, já estava com a missão de fazer uma cerveja em homenagem ao AC/DC, embora o grupo australiano tenha a própria cerveja, em estilo alemão. Bem diferente do AC/DC, a Velhas Virgens é uma Ale Brow (escura, de alta fermentação), perfeita para o inverno. A última notícia é que já estão produzindo mais de 20 mil litros só desse estilo.

No mesmo container em que viajou para o Brasil a cerveja do grupo AC/DC veio a Trooper Premium British Beer, dos “rapazes” do Iron Maiden. Tenho certo palpite de que, mesmo tendo muitos fãs no Brasil, estes preferirão as versões brasileiras.

Consta que o grupo pioneiro em comercializar a própria receita foi o Sepultura, que em 2011 pediu a Alexandre Bazzo, mestre cervejeiro da Bamberg, que desenvolvesse uma receita para comemorar os 25 anos de carreira da banda. Assim nasceu a Sepultura Weiss. Depois dela, o baterista Sady Romero, do grupo Nenhum de Nós, desenvolveu com a Bamberg a bohemian pilsen Camila, Camila.

Finalizando, pois é preciso, a Blues Etílico é uma cerveja do estilo Helles que pode se ajustar a várias situações, desde barzinho a show na chuva. Discreta, como Fausto Fawcett pessoalmente, e escandalosa na boca, como a letra de Katia Flavia aos nossos ouvidos.

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.