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Ser um vinho feminino não fere o seu lado masculino

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Um dia desses, fiquei surpresa com meu sobrinho-neto de 5 anos, Mateus, estipulando em seu ainda diminuto mundo o que eram “coisas de menino” e “coisas de menina”. A surpresa foi porque me soou como discriminação. Fiquei dando tratos à bola, pensando em como abordaria o assunto com o petiz. Na reflexão, conclui que tudo não passava de bobagem da minha cabeça, influenciada pelos tempos politicamente corretos. “Afinal discriminar distinguindo o sexo feminino do masculino não é crime, e se o fosse deveria ser descriminado”. Na vida cotidiana, regularmente, antes de comprar qualquer peça de vestuário, avaliamos se tem aparência masculina ou feminina. Sabemos que tal avaliação não está restrita à moda, todos os bens de consumo têm aspectos que nos induzem a relacioná-los com características de feminilidade ou masculinidade.

No mundo de Baco, por exemplo, é comum dizer que os vinhos de Saint Emillion são os mais femininos entre os tintos de Bordeaux. Tal comparação tem procedência e, de fato, eles são os mais aveludados e elegantes da região francesa. Mas isso, naturalmente, não significa que tais vinhos estejam restritos às mulheres. Pois, seguindo por tal raciocínio, os tintos encorpados, bem estruturados e bastante tânicos, só poderiam ser bebidos por homens. Bobagem pura!

Todavia, fica bem mais fácil escolher um vinho para presentear ou mesmo degustar entre amigos quando se leva em consideração as tais características “masculino” e “feminino”.

No grupo dos vinhos considerados femininos estão os mais leves, macios e fáceis de beber. Como os brancos não armazenados ou fermentados em barris de carvalho, os tintos leves, especialmente os do Loire e da Borgonha, e os espumantes do tipo Asti. Tais vinhos fazem parte desse grupo também por serem prontos para se beber agora.

Já entre os vinhos masculinos, estão aqueles com grande potencial de guarda, e que precisam de longos anos amadurecendo em caves subterrâneas até atingirem seu ponto máximo de aveludamento e ganharem complexidade aromática, quando, só então, serão colocados à venda. Desse grupo fazem parte a maioria dos Bordeaux, incluindo os de Saint Emillion – que com o tempo de guarda tornam-se os mais aveludados entre seus pares e, por isso, são considerados os mais femininos entre os tintos da região de Bordeaux.

Pelas mesmas razões, inclusive pela potência dos taninos, também fazem parte desse grupo os barolos, os super toscanos, e vários tintos do Novo Mundo.

A divisão faz mais sentido ainda quando considerarmos o corpo de cada vinho. Dê uma olhadinha na tabela abaixo e veja que corpo de vinho irá harmonizar com a situação.

Por exemplo, no próximo domingo, dia das mães, na hora do almoço, vai servir o quê?

O Corpo de Alguns Vinhos

O Corpo de Alguns Vinhos

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.