Coquetéis

Vai ter Cardeal no SubAstor

Por  | 

Para receber dezembro de peito aberto e cantando como um passarinho, no dia 1º, quinta-feira, o bartender Paulo Freitas, premiadíssimo por sua criatividade, virá fazer dupla com o consagrado bartender líder do SubAstor, Plinio Joaquim.

É que o bar faz parte, entre outros 99, do concurso World Class Drink Festival. Funciona assim: cada casa apresenta um drinque, no valor de R$ 25, e o bar candidato ainda pode receber um colega convidado. A dupla do SubAstor irá apresentar o II Cardinale.

O mais engraçado é a história desse drinque, que começou na França, em 1951, quando a Lejay Lagoute lançou uma campanha publicitária preparando um Kir que substituía vinho branco por vinho tinto. Batizaram a bebida de Cardinal, na esperança de que todos passassem a associar o creme de cassis Lejay Lagoute, cujo símbolo era o pássaro. Deu com os burros n’água! Assim como o Kir ficará conhecido pelo sobrenome do cônego Felix Kir – aristocrata religioso, herói da resistência contra os nazistas na Borgonha e ex-prefeito de Dijon, cidade onde foi fundada a primeira fábrica de creme de cassis Lejay Lagoute, em 1841 -, hoje a empresa é líder mundial desse segmento. Contam que o cônego inventou a mistura de vinho branco com creme de cassis para um evento que iria acontecer na cidade, ou coisa do gênero. Prefiro outra versão, menos fantasiosa e mais realista: naqueles tempos, os vinhos brancos eram ácidos demais – eu não estava lá para saber, é certo. Mas também não existia a tecnologia da qual dispomos hoje em dia para fazê-los tão equilibrados, como é preciso. Mas, voltando, acho que o cônego gostava mesmo era de misturar o creme de cassis ao vinho branco para quebrar a acidez do primeiro, e lógico que a moda pegou, porque fica muito bom.

Astor II Cardinale

Astor II Cardinale | Foto: Leo Feltran

Não restou outra saída senão inventar o Kir Royale (em homenagem à Avenida Royale, de Paris) e fechar a trilogia, desta vez com champanhe, para vender mais creme de cassis.

Quando o Cardinal chegou à Itália, o creme de cassis foi substituído por campari; e o vinho branco, por vermute branco seco ou vermute tinto – bebidas cujas bases são de vinho. Mas, onde entra campari as receitas “vão ao infinito e além”, como diz o personagem de Toy Story Buzz Lightyea.

Em tempos de crise, pegar uma “passagem” de R$ 25, que inclui escalas na França, na Itália e na Inglaterra, e destino final ao infinito e além, está me parecendo um ótimo negócio.

Não percam a hora do embarque: 20h, no SubAstor, nesta quinta-feira

Vambora!

Deixe seu Comentário!

comentários

Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender, trabalha como consultora na Academia da Cachaça e no Torna Pub e assina a coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada em seu site.